Family Talks

Family Talks participa de oficina do UNICEF para construir estratégia nacional contra o castigo físico na primeira infância

Foto de grupo dos participantes da oficina do UNICEF em Brasília, sorrindo diante de telas que exibem o título “Estratégia de Prevenção do Castigo Corporal na Primeira Infância”.

A convite do UNICEF, Family Talks participou de uma oficina de três dias dedicada à construção da Estratégia Nacional de Prevenção do Castigo Corporal na Primeira Infância. Em Brasília, o encontro reuniu especialistas em proteção de crianças e adolescentes de diferentes áreas e teve como ponto de partida o estudo “É só uma palmada?”, lançado pela agência da ONU em setembro. A pesquisa ouviu mais de 200 mães, pais, cuidadores e profissionais da rede de proteção em três capitais e concluiu que o castigo físico persiste no país não apenas por escolha individual, mas porque muitos ainda o veem como forma legítima de educar e corrigir. Em grupos de trabalho, os participantes discutiram como transformar crenças e costumes que tratam o tema como assunto privado de família, um movimento semelhante ao que a sociedade brasileira já fez em relação à violência contra a mulher.

Para Rodolfo Canônico, diretor executivo de Family Talks, o desafio vai além da proibição. “Apesar de todas as evidências sobre seus malefícios, parte significativa das famílias brasileiras segue adotando esta forma de violência como alternativa aceitável no processo educativo. Já há lei, mas ainda falta muito para o problema ser superado”, afirma. A conclusão compartilhada pelo grupo é que não basta dizer aos pais que não devem bater: é preciso oferecer repertório, alternativas concretas e apoio às famílias, sobretudo as mais sobrecarregadas e vulneráveis. “Discutimos como construir uma estratégia efetiva para ajudar as famílias a adotarem práticas educativas mais eficazes e que não causem danos às crianças. Todo mundo ganha”, diz Canônico. O trabalho de construção da estratégia continua ao longo dos próximos meses, com a expectativa de que, a partir de 2027, o país comece a escrever uma nova história para suas crianças.

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